Ódio a realidade.
- 16 de mar. de 2019
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Realidade ou realidades? Começo o texto de hoje com esta pergunta, muito capciosa, pois é fácil pensar que cada um teria uma realidade particular. Com a influência de nossos sentidos, desejos, memórias e fantasias, criamos e percebemos a realidade, sendo assim cada um percebe a realidade de forma particular. No entanto, há uma realidade que comungamos, a qual existe concretamente. Essa realidade concreta é das coisas em si mesmas, a qual é o ponto de partida dessas inúmeras variações que encontramos quando vamos checar as realidades internas de cada um.
A mente humana tem dificuldade em aceitar essa diferença e acreditamos intensamente que nossa concepção de realidade coincide com o que acontece. Essa confusão gera muitos desencontros, pois a realidade não muda só porque pensamos que ela é diferente, assim quando a realidade se impõe sofremos, às vezes, ao ponto de odiá-la por ser diferente do que criamos em nossas mentes.
A frustração desse contato com a realidade pode ocorrer tanto com a realidade interna quanto externa e se ela for intensa demais, podemos transformar de forma alucinatória nossas percepções, - utilizo “forma alucinatória” aqui me referindo das alucinações dos psicóticos a mudanças bem menos evidentes que todas as pessoas fazem em algum nível – direcionando ou substituindo nossas percepções por algo que confirmem nossas concepções de como a realidade é, pois assim temos a sensação de evitarmos o sofrimento, porém o resultado dessas transformações apenas degrada a mente e as relações.

BION. W. R. Transformações: Do aprendizado ao crescimento. 2. Ed. Rio de Janeiro, Imago, 2004.
CASTELO FILHO, C. O Processo Criativo: Transformação e ruptura. São Paulo: Casa do Psicólogo,2004.







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